De acordo com Dilma empreender no Brasil é ser condenado a pena de morte

Depois de uma semana onde o clímax foi o impeachment da gestora mais incompetente e inapta da história do País, uma parte de todo esse episódio me causou espécie.

O julgamento foi dividido em duas partes, na segunda, que avaliou a cassação ou a manutenção dos direitos políticos de Dilma, o resultado foi 42 votos a favor da cassação e 36 contrários. No entanto, eram necessários 54 votos para que a presidente ficasse inabilitada a exercer funções públicas durante oito anos.

O grande receio da ex-presidente e seus aliados é que, caso não fosse possível assumir nenhum cargo público ela iria passar por sérias dificuldades financeiras e neste ponto ficou claro que empreender neste País é praticamente uma sentença de morte.

Todos querem as benesses, “boquinhas” e a segurança milenar da área pública, onde o salário na sua maioria das vezes com valores astronômicos cai no colo mensalmente sem preocupação ou muito esforço.

Falar sobre as dificuldades de ser empresário no Brasil é chover no molhado, mas sem dados não é possível entender a realidade, então vamos a eles:

Fazer negócios no Brasil é tarefa hercúlea, recentemente o País caiu cinco posições em um ranking do último relatório do Banco Mundial, sobre a facilidade de fazer negócios em 189 países. Chamado “Doing Business 2016: Medindo Qualidade e Eficiência”, o estudo leva em consideração fatores como a facilidade de abrir empresas, obter crédito e conseguir eletricidade.

O Brasil ficou na 116ª posição este ano, abaixo da colocação do ano passado, 111ª. Começar um negócio no Brasil demora 83 dias e são necessários 11 procedimentos. Na Nova Zelândia é preciso apenas um dia e um procedimento.

Em Cingapura são dois dias e meio e três procedimentos. Nos Estados Unidos, sétimo lugar no ranking geral, são 6,5 dias. No México, país da América Latina mais bem colocado no levantamento, na posição 38ª, abrir um negócio demora 6,3 dias.

Brasil ficou na 116ª posição este ano.

Brasil ficou na 116ª posição este ano.

Outros números:

Em outros indicadores isolados, que são considerados no conjunto para a elaboração do ranking geral, o Brasil também ocupa posição ruim. No item conseguir permissão para construção, o País fica em 169º, demorando em média 425,7 dias. Em registrar uma propriedade, está na classificação 130ª do ranking, demorando em média 31,7 dias.

No pagamento de tributos, o Brasil está perto dos últimos colocados, em 178º. O tempo médio que um empresário no Brasil precisa para preparar, apresentar e pagar impostos é de 2,6 mil horas por ano, enquanto a média na América Latina, considerada alta pelo Banco Mundial, é de 361 horas por ano. A média das economias de renda elevada que fazem parte da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é de 177 horas.

O Brasil tem melhor posição em apenas dois indicadores, obter eletricidade, quando fica no 22º lugar, e em proteção aos acionistas minoritários, no 29º. No ranking de facilidade para conseguir crédito, o País está na posição 97ª. O destaque na América Latina neste ponto é a Colômbia, no segundo lugar.

Segundo o Banco Mundial, abrir um negócio no Brasil demora 83 dias

Banco Mundial

Banco Mundial

Além de alguns países da América Latina estarem em posições ruins no ranking, estas economias têm feito poucas reformas para facilitar a vida de empresários ao fazer negócios. O documento do Banco Mundial ressalta que 47% dos países da América Latina fizeram algum tipo de reforma no ano passado até junho, somando 24 medidas, deixando a região com a menor porcentagem de economias que implementaram reformas.

O México e o Peru, além de Jamaica e Costa Rica, estão entre as seis economias da região que implementaram mais reformas no ano passado. O Brasil, de acordo com o documento, implementou uma medida, facilitando o processo de exportação ao reduzir o tempo para completar os procedimentos de conformidade com a fronteira por meio da implementação de um portal eletrônico. “O Brasil está entre os países que investem em sistemas eletrônicos para facilitar o comércio”, afirma o documento.

Ao mesmo tempo, o relatório ressalta que o País encareceu a transferência de propriedade ao aumentar imposto para esta transação. “Embora o ritmo de reformas tenha diminuído na América Latina e Caribe, os países continuam a realizar melhorias. Em 2004, apenas oito economias registraram reformas, em comparação com 15 economias no ano passado”, disse a diretora do projeto Doing Business, Rita Ramalho, em comunicado.

Melhora:

O relatório do Banco Mundial conclui que os países em desenvolvimento aceleraram as reformas nos últimos 12 meses para facilitar os negócios: 85 desses países implementaram 169 medidas, acima das 154 feitas no ano anterior.

Economista-chefe e vice-presidente sênior do Banco Mundial, Kaushik Basu.

Economista-chefe e vice-presidente sênior do Banco Mundial, Kaushik Basu.

Os países de alta renda fizeram 62 reformas. Ao todo, mais de 60% dos países do mundo melhoraram as regras de negócios.

“O desafio do desenvolvimento é trilhar o caminho estreito através da identificação de regulamentações que são boas e necessárias, evitando aquelas que impedem a criatividade e dificultam o funcionamento das pequenas e médias empresas”, afirma o economista-chefe e vice-presidente sênior do Banco Mundial, Kaushik Basu.

Entenderam o desespero de nossos políticos em jamais ser um empresário? E a pior notícia é, são eles os responsáveis por tudo que atrapalha os empresários em nosso País.

Quando penso em política minha opinião é, se não atrapalharem já é uma excelente notícia.

Um bom fim de semana para todos.

Licio Melo

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