Gerdau quer R$ 1,5 bilhão com venda de usinas no México e Índia

Movimentos do mercado industrial indicam que os negócios serão realizados em breve

O Grupo Gerdau está com negociações avançadas para venda de uma das duas siderúrgicas que controla no México, a Sidertul, confirmaram ao BVMI várias fontes com informações de dentro da operação. As negociações industriais estão alinhados com a intenção da companhia de manter no portfólio ativos de maior rentabilidade e conseguir engrossar o caixa saindo de subsidiárias que não dão o retorno desejado.

A siderúrgica de Tultitlán, na região metropolitana da Cidade do México, foi adquirida pela Gerdau em 2007, por US$ 259 milhões (cerca de US$ 300 milhões de hoje, considerando a inflação). Sua capacidade de laminação de aços longos comuns é de 400 mil toneladas por ano.

No México, essa é a que mais depende da demanda nos Estados Unidos. Apesar de a perspectiva de consumo de aço nos EUA seguir promissora, o perfil protecionista de Donald Trump – e sua intenção de se afastar do vizinho – pode prejudicar esse negócio.

Unidade Gerdau Corsa no México.

Unidade Gerdau Corsa no México.

De acordo com Licio Melo especialista em vendas industriais, a demanda brasileira por aço voltou ao mesmo nível de um ano atrás, sendo que o consumo aparente em abril foi o menor desde janeiro de 2016. O índice, que reúne produtos nacionais e importados, caiu 9,1% sobre o mesmo mês do ano passado e chegou a 1,36 milhão de toneladas.

Ele afirma que a estratégia da Gerdau é acertada pois os indicadores deste mercado não são animadores para o decorrer de 2017, ainda mais com a nova turbulência política que vem ceifar a já lenta e gradual recuperação econômica do País. Ele confirma que a construção civil não se recupera este ano, o setor de cimento muito menos e o de máquinas e equipamentos está sofrendo na tentativa de manter mesmo nível de vendas de 2016.

No segmento automotivo, Licio diz que em conversas com os principais CEOs deste mercado a boa notícia é que as ações de exportação estão salvando seus resultados no curto prazo, o que indica que para o segmento siderúrgico este mercado deverá fechar de maneira positiva.

Licio confirma que apenas fazer caixa não deverá ser suficiente para a Gerdau reverter seus resultados em 2017.

Licio confirma que apenas fazer caixa não deverá ser suficiente para a Gerdau reverter seus resultados em 2017.

No mercado de aço, as vendas internas caíram 12,8% em abril e atingiram 1,21 milhão de toneladas. Ao mesmo tempo, a importação subiu 36,6%, para 153 mil toneladas. A participação do aço estrangeiro no consumo tem ficado consistentemente acima de 10% desde agosto, apesar de ter diminuído de 15,3% em março para 11,3% no mês passado.

Licio finaliza informando que apenas fazer caixa não deverá ser suficiente para a Gerdau reverter seus números, para ele é preciso (como em outras indústrias) um choque de gestão comercial que englobe mudanças práticas na forma de fazer negócios, principalmente na comercialização de grandes projetos industriais.

Procurado diretamente, o grupo gaúcho informou que não comenta “rumores de mercado”. Mas ressaltou que “segue com sua estratégia de avaliação de seus ativos, visando focar seus esforços naqueles que geram maior rentabilidade”.

Além da Sidertul, a empresa gaúcha controla a Gerdau Corsa no país. Com instalações mais modernas, após investimento de US$ 600 milhões concluído em 2015, a unidade pode processar 700 mil toneladas de aço laminado ao ano e se concentra em perfis estruturais, com foco voltado para o mercado mexicano.

No ano passado, a Gerdau acelerou um programa de ajuste do seu portfólio de negócios nas Américas, Europa e Índia. Um dos principais ativos que passou à frente foi a siderúrgica espanhola de aços especiais Sidenor, por € 155 milhões. Poderá receber mais € 45 milhões em cinco anos. “Frente aos desafios globais da indústria do aço, estamos buscando gerar mais valor de mercado e ampliar a competitividade de nossas operações, mantendo o endividamento sob controle”, disse, na época, seu presidente, André Gerdau Johannpeter.

Também em aços especiais, o grupo está em fase avançada de negociação do controle ou fazer uma joint venture da SJK Steel Plant, usina situada em Tadipatri, na Índia. A aquisição foi feita dez anos atrás, numa joint venture com o grupo local Kalyani, criando a Kalyani Gerdau Steel. Por 45% da empresa, a Gerdau pagou US$ 73 milhões. Em 2012 assumiu o controle, passando a deter 91,3%.

Os sócios previam uma expansão, elevando a capacidade de aço bruto de 250 mil para 1,6 milhão de toneladas ao ano, com investimentos de até US$ 300 milhões. Esse plano não evoluiu – a empresa continua fazendo 300 mil toneladas de aço laminado. O alvo, à época, era a crescente demanda indiana desse tipo de aço pelos setores automotivo e da construção civil.

Saindo da Índia, toda a operação internacional do grupo ficará concentrada nas Américas. Nessa estratégia, a Gerdau informa em suas apresentações que obteve R$ 2,4 bilhões com venda de 13 ativos de 2014 ao fim do ano passado – sendo R$ 13, bilhão apenas em 2016. Neste ano, conseguiu mais R$ 441 milhões ao alienar 50% da Diaco, da Colômbia, e nove ativos em aços especiais e para construção civil nos EUA.

O objetivo da empresa, até o fim de 2018, é arrecadar até R$ 1,5 bilhão em novas transações.

Fonte – BVMI – Camila Cocielo – Renato Rostás – Ivo Ribeiro/Valor

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@LicioMelo

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