GUMI BRASIL VAI INVESTIR R$ 1 BILHÃO NO PAÍS NOS PRÓXIMOS DEZ ANOS

Investimento será realizado apenas com a geração de caixa do seu próprio negócio

Nova controladora da Supervia, concessionária de transporte ferroviário do Rio, a Gumi Brasil vai priorizar a melhoria da qualidade de serviço da companhia.

Tendo como principal acionista o grupo japonês Mitsui, a Gumi garante que a redução do endividamento vai permitir à empresa ferroviária investir quase R$ 1 bilhão nos próximos dez anos, apenas com a geração de caixa do seu negócio.

“Devido a uma série de dificuldades que estava passando nos últimos três anos, ela (Supervia) ficou focada na sua sobrevivência. Agora, a partir dessa reestruturação financeira, a empresa vai conseguir priorizar a qualidade do serviço, para que seja seguro, confiável e confortável”, disse Gustavo Guerra, diretor presidente da Gumi Brasil e presidente do conselho de administração da Supervia.

“Estimamos que a companhia vai ter capacidade de, nos próximos dez anos, investir cerca de R$ 800 milhões oriundos de sua própria geração de caixa. Houve uma redução do endividamento após injeção de capital usada para pagar dívida”, completou ele.

Com o aumento de capital de R$ 780 milhões, que resultou na reestruturação societária, a dívida da Supervia foi reduzida em cerca de um terço, passando de R$ 1,4 bilhão para R$ 900 milhões. O plano dos controladores é implantar medidas para reduzir a evasão de passageiros e aumentar a segurança operacional.

Em contrapartida, a companhia mantém conversas com o governo do Rio de Janeiro para assegurar que sejam adotadas ações de segurança pública, para reduzir a violência e a invasão nos 270 km da malha ferroviária e combater atos de vandalismo nas instalações da empresa.

Apenas neste ano, a Supervia teve que paralisar o serviço em 40 ocasiões, devido à ocorrência de tiroteios em algum ponto da linha férrea. Em 2018, foram registrados 580 atos de vandalismo e a quebra de 61 parabrisas de composições e de 186 janelas e visores das portas dos trens, gerado um prejuízo de R$ 10 milhões para a concessionária.

“Imagine esse mesmo valor sendo investido na melhoria das estações, dos serviços”, afirmou Guerra.

Outro problema é o furto de cabos. Apenas em 2019, foram contabilizados 175 casos do tipo. “Cada furto de cabo significa algum tipo de restrição operacional. Alguns levam à paralisação total da circulação, outros levam a paralisações parciais ou desvios”, completou o executivo.

Além disso, em determinados trechos, a velocidade dos trens é reduzida da média de 80 km/h para 30 km/h, devido à população que circula ou ocupa a área de servidão de forma irregular.

A Gumi Brasil concluiu a aquisição do controle da Supervia no fim de maio, quase três meses depois do anúncio da operação. O negócio ocorreu pouco mais de uma semana após a morte de um maquinista da companhia, devido a um choque de trens em São Cristóvão, na Zona Norte da capital fluminense.

Com o negócio, a Gumi Brasil passou a deter 88,67% da Supervia. O restante ainda pertence à Odebrecht TransPort (OTP), consórcio formado pelo grupo Odebrecht, o FI-FGTS e o BNDESPar.

A Gumi Brasil é subsidiária integral da Guarana Urban Mobility (Gumi), consórcio liderado pela Mitsui (57,6%) e que tem como demais acionistas a West Japan Railway Company (JRW), empresa japonesa de transporte ferroviário, com 24%, e o Join, fundo japonês especializado em investimentos em infraestrutura no exterior, com 18,4%.

O novo controlador também está discutindo com o governo do Rio um plano de redefinição do sistema de transporte da região metropolitana, para reduzir a concorrência entre modais, sobretudo linhas de ônibus e de trens.

Segundo Guerra, na prática, a ideia é redirecionar algumas linhas de ônibus e alimentar o modal de alta capacidade. Um estudo apresentado em fevereiro pela Gumi ao governo indicou que a medida tem potencial de economia para o Estado, com redução de subsídios concedidos por meio do bilhete único.

“Com um sistema eficiente, todo mundo acaba ganhando. Hoje existem linhas de ônibus extremamente longas. Na verdade, elas poderiam ser mais eficientes se fossem mais curtas”, disse Guerra.

De olho também no cenário macroeconômico, o executivo espera uma retomada gradual do crescimento do faturamento da empresa nos próximos anos.

Em 2018, o faturamento da Supervia foi de cerca de R$ 700 milhões. Segundo Guerra, o negócio da Supervia é muito aderente ao PIB. Afinal, as pessoas, em geral, utilizam os trens para se deslocarem ao local de trabalho e retornarem às suas residências.

A recessão econômica e a crise particular do Estado do Rio de Janeiro nos últimos anos provocou uma queda acentuada do número de usuários da Supervia. A média de passageiros de 700 mil por dia útil (com pico de 730 mil), em 2016, caiu para 580 mil no início deste ano.

“Logicamente, com a melhoria da economia que esperamos para o segundo semestre de 2019 e 2020, vai haver uma melhora gradual. Existem algumas ações internas que vamos perseguir, como por exemplo, maior controle de evasão, que infelizmente é significativa”, afirmou Guerra.

FonteBVMI – Rodrigo Polito

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