RHI Magnesita vai investir cerca de R$ 350 milhões em sua planta no Brasil

R$ 64 milhões serão usados na construção de uma nova sede da empresa em Contagem

Maior fabricante global de produtos refratários para indústria, a RHI Magnesita prepara seu primeiro grande investimento no Brasil desde 2016, quando passou por um processo de fusão com o grupo austríaco RHI.

O BVMI confirmou que vão ser € 80 milhões, ou R$ 350 milhões, investidos no complexo fabril em Contagem, cidade da região metropolitana de Belo Horizonte.

O presidente da empresa para América do Sul, Francisco Carrara, do total de recursos planejados, R$ 64 milhões serão usados na construção de uma nova sede da empresa em Contagem. O prédio vai seguir a linha arquitetônica e tecnológica da matriz da companhia, em Viena, na Áustria.

O valor para essa obra já está aprovado, segundo executivo. Os trabalhos devem começar dentro de alguns meses. A maior parte do investimento, R$ 285 milhões, será empregado na ampliação de quatro das dez fábricas que a Magnesita mantém em Contagem.

Esse investimento ainda precisa ser aprovado pelo conselho de administração da empresa. O projeto será levado ao “board” em setembro, disse Carrara. A companhia produz atualmente no complexo de Contagem 380 mil toneladas de refratários.

Os investimentos previstos nas fábricas serão concentrados nas linhas de tijolos voltados para siderurgia e para a indústria de cimento. Essas quatro fábricas têm atualmente uma capacidade de produção de 180 mil toneladas, que será ampliada para 250 mil toneladas.

Além da ampliação de capacidade, a direção da Magnesita pretende elevar suas exportações a partir de Contagem – onde a companhia opera desde 1940.

Hoje 23% da produção da unidade mineira atende a clientes no exterior. Quase a metade das exportações vai para a América do Norte; 30% para América do Sul, 14% para Europa e o restante para os demais países.

Após os investimentos nas fábricas, a fatia da produção de Contagem para exportação deve subir para 30% a 35%, disse o executivo. Os números estão ainda sob análise, mas a ideia é que o complexo de Contagem ganhe status de “hub” de exportação e a tendência é que as vendas para a Europa aumentem.

A companhia é dona de uma grande reserva de Magnesita em Brumado, na Bahia – que afirma ser a maior do mundo fora da China. Carrara disse que a Magnesita vê também o mercado brasileiro com potencial para crescimento apesar da economia ainda deprimida.

“A gente acredita muito no potencial do Brasil. Claro que tem toda a realidade atual, mas a gente está apostando ainda no crescimento do Brasil“, afirmou o executivo que falou com a reportagem da Cidade do México.

Os planos de investimento em Minas fazem parte de uma estratégia de crescimento da produção que também envolve aportes e ampliações em outras fábricas, principalmente nos EUA e China.

A RHI Magnesita tem 35 unidades de produção em 16 países. O horizonte da empresa é que as ampliação estejam concluídas em 2023.

Carrara afirma que está ainda em aberto a solução financeira para suportar os investimentos a serem feitos no Brasil. “Tem toda uma engenharia financeira sendo avaliada. Provavelmente será recurso da matriz, mas ainda não está definido. Nosso time financeiro vai avaliar isso de forma global”, disse o executivo.

Em 2016, a austríaca RHI e a brasileira Magnesita decidiram fundir suas operações globais. A empresa resultante se tornou a maior do mundo em refratários e faturou € 3,1 bilhões em 2018.

Fundada em 1939 por dois amigos franceses na cidade de Brumado (BA), foi posteriormente adquirida pela família Pentagna Guimarães e transferida sua sede para Contagem.

Em 2007, a empresa foi vendida para a GP Investimentos. A nova reorganização societária levou à criação da Magnesita Refratários S.A. e sua listagem no Novo Mercado da B3 em abril de 2008. Com a fusão, com a RHI, em janeiro de 2019 a empresa saiu de vez da Bolsa.

Desde 2008, quando adquiriu a LWB Refractories – empresa alemã líder no mercado de refratários básicos e produtos dolomíticos de alto valor agregado -, a companhia passou a contar com forte presença nos mercados europeu, dos EUA e asiático, ocupando o primeiro lugar no mercado nacional de refratários e o terceiro lugar no mundial.

O grande cliente da empresa é a indústria siderúrgica, com cerca de 60%, seguido pelos segmentos de mineriais não metálicos (cimento, vidro e cal) e de não-ferrosos (alumínio, cobre, níquel, prata e zinco), com 15% cada um. Os 10% restantes são de indústrias de papel e celulose, petroquímica, cerâmica e outras.

A companhia tem 10 mil clientes, entre eles siderúrgicas, indústrias de cimento, de vidro, cal, de produtos químicos, celulose, entre outros. São 35 sites de produção em 16 países e 14 mil funcionários. No Brasil, são 5.500, sendo mais da metade em Minas.

FonteBVMI – Marcos de Moura e Souza

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