Takata irá pedir recuperação judicial nesta semana

Ningbo Joyson pode antecipar plano de instalar fábrica no interior de São Paulo

A fabricante japonesa de airbags Takata está se preparando para pedir recuperação judicial na próxima semana, enquanto trabalha em um acordo preliminar para conseguir o apoio financeiro da fabricante de autopeças americana Key Safety Systems.

A Takata trabalha na finalização de um acordo com a Key, pois enfrenta bilhões de passivos decorrentes de defeitos em airbags. Também está em jogo uma dívida de US$ 850 milhões da fabricante japonesa com grandes montadoras mundiais decorrente de um acordo fechado este ano.

Fontes do BVMI, informaram que um acordo com a Key pode não ser fechado antes que a Takata faça o pedido de recuperação.

Licio Melo especialista em vendas industriais, confirma que marcas concorrentes se preparam para assumir o espaço que a hoje líder do mercado brasileiro de airbags irá deixar. Segundo o especialista outras duas gigantes do setor que já atuam no Brasil, a Autoliv e a TRW já vem aplicando estratégias comerciais para faturar a demanda que vai surgir no curto prazo.

Além delas, a GDBR, subsidiária da japonesa Toyoda Gosei, com fábrica inaugurada em 2015 em Itapetininga-SP conseguiu contrato para um novo carro da Honda, segundo fontes do BVMI.

A Honda do Brasil informa que não utilizará mais insufladores de airbags da Takata em novos modelos, mas não revela nomes de fornecedores. A Fiat Chrysler confirmou ao BVMI na Europa que deixará de usar airbags Takata.

Outra fabricante da peça, a KSS – Key System Safety, grupo americano adquirido pela chinesa Ningbo Joyson, pode apressar plano de instalar fábrica no interior de São Paulo.

“Todas as montadoras estão renegociando contratos para novos produtos; se perdermos o projeto lá fora, perderemos também no Brasil”, admite Airton Evangelista, presidente da Takata brasileira. O insuflador (peça que apresenta o problema que levou ao recall) não é feito no Brasil.

É importado pela Takata da Alemanha, México e China. Até agora, cerca de 80 milhões de carros passam por recall em todo o mundo. No Brasil são 2 milhões de veículos, a maioria da Honda e da Toyota, mas também foram feitas convocações por Fiat Chrysler, Mitsubishi, Nissan, Subaru, Volkswagen e Audi.

De acordo com Evangelista, o grupo enfrenta situação bastante crítica e negocia aportes com fundos de investimento. “Já há grupos interessados em investir.”

A TRW, fabricante do item em Limeira-SP não confirma, mas fontes do BVMI dizem que ela tem feito cotações para diversas montadoras. A maioria das concorrentes da Takata, como TRW e Autoliv, já está fornecendo insufladores para o atendimento do recall do chamado “airbag mortal”, pois a empresa não dá conta de atender a demanda.

Elas utilizam nitrato de guanidina como indutor de abertura dos airbags, enquanto a Takata usa nitrato de amônio, apontado como responsável pela forte explosão que provoca o rompimento da peça metálica que envolve a bolsa inflável. Partes da peça são expelidas como navalhas e já causaram 14 mortes nos EUA e na Malásia e mais de 100 feridos, nenhum deles no Brasil. A Takata também vai substituir o amônio pela guanidina.

Sem novo aporte, a Takata não conseguirá bancar os custos do recall, multas e indenizações previstas, valor projetado em US$ 10 bilhões. O grupo fatura cerca de US$ 6 bilhões por ano, assim o pedido de RJ é dado como certo.

Fonte – Leandro Munhoz – BVMI – Vinícius Pinheiro/Valor

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